Browsing by Author "Soares Ferreira, R"
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- 10 Anos de Experiência em Injeção Eco-Guiada de Trombina, uma Técnica Segura e Eficaz no Tratamento do Falso Aneurisma FemoralPublication . Correia, R; Krupka, D; Homem, T; Soares Ferreira, R; Camacho, N; Catarino, J; Bento, R; Garcia, A; Bastos Gonçalves, F; Ferreira, MEIntrodução: O elevado número de procedimentos vasculares percutâneos resulta num aumento das complicações relacionadas com o acesso vascular. A mais frequente é o falso aneurisma (FA), cuja intervenção de primeira linha é atualmente a injeção eco-guiada de trombina humana (IETH). Métodos: Estudo observacional retrospetivo realizado através da consulta de processos clínicos dos doentes submetidos a IETH por FA femoral num hospital terciário no período de 2008 a 2018. O end-point primário foi o sucesso desta modalidade terapêutica (trombose primária e à reavaliação ecográfica). Os end-points secundários foram complicações relacionadas com o procedimento, reintervenções, duração de internamento e sobrevida. Resultados: A amostra incluiu 102 doentes. 97% dos FA tinham etiologia iatrogénica confirmada. 4% foram diagnosticados após intervenção pela Cirurgia Vascular e 85% após intervenção pela Cardiologia, dos quais 80% após cateterismo coronário e 13% após TAVI (transcatheter aortic valve implantation). 58% dos doentes estavam antiagregados e 50% anticoagulados. 80% dos FA ocorreram à direita. 65% afetavam a AFC e 35% a AFS ou AFP. O diâmetro médio dos FA tratados por IETH foi de 36,8mm. 29% apresentavam-se lobulados (FA complexos). Quanto às características do colo do FA, 58% tinham colo longo (≥3mm de comprimento) e 58% tinham colo estreito (<3mm de calibre). O tempo mediano até à IETH após intervenção causal foi de 6 dias. 89% apresentaram trombose primária após IETH, decrescendo para 73% à reavaliação posterior por Eco Doppler. 16% repetiram IETH, 5% mais que uma vez. Não foram documentadas complicações relacionadas com o procedimento. Os falsos aneurismas complexos associaram-se a taxas inferiores de trombose completa à reavaliação ecográfica (p=0,012). O segmento arterial afetado, realização de antitrombóticos, diâmetro do FA e características do colo não apresentaram associação com a taxa de trombose do FA. 6% dos doentes submetidos a IETH foram submetidos a tratamento cirúrgico de FA femoral (a maioria após mais de 2 IETH), num dos casos por via endovascular. O tempo mediano de internamento após 1ª IETH foi de 3 dias, superior nos doentes com etiologia iatrogénica após TAVI comparativamente a após cateterismo coronário (p=0,006). A sobrevida dos doentes submetidos a IETH foi de 97±2% a 1 mês, 86±4% a 1 ano e 60±7% a 5 anos, sem diferença significativa de acordo com etiologia do FA femoral. Conclusão: A IETH é uma alternativa segura e com elevada eficácia para o tratamento de FA pós cateterização vascular. É expectável que 1/6 dos doentes necessite de mais do que uma injeção para obter o sucesso desejado, sendo esse risco mais elevado no caso de FA complexos. Apesar dos bons resultados, alguns doentes continuarão a necessitar de correção cirúrgica.
- Alterações Morfológicas e Consequências Clínicas do Tratamento de Colos Proximais Largos Requerendo Endopróteses com 34-36mm de DiâmetroPublication . Oliveira-Pinto, J; Soares Ferreira, R; Oliveira, N; Bastos Gonçalves, F; Hoeks, S; Rijn, MJ; Raa, S; Mansilha, A; Verhagen, HIntrodução: O tratamento endovascular representa o método de eleição para o tratamento de Aneurismas da Aorta Abdominal (AAA). Existem endopróteses disponíveis com diâmetros do colo proximal até 36mm, que permitem o tratamento de colos proximais até 32 mm. Contudo, a existência de colos largos representa um conhecido preditor de complicações. O objetivo deste estudo é avaliar os resultados a médio-prazo de doentes que requereram endopróteses de 34-36mm. Métodos: Foi realizada uma análise retrospetiva de uma base de dados prospetiva, incluindo todos os pacientes submetidos a EVAR por AAA degenerativo numa instituição terciária na Holanda. Todas as medições foram realizadas em reconstruções center-lumen line em software dedicado. Os pacientes foram classificados como “diâmetro largo” (LD), se a endoprótese implantada tivesse diâmetro superior a 32 mm.. Os restantes pacientes foram classificados como diâmetro normal (ND). O endpoint primário foi complicações relacionadas com o colo (combinação de endoleak tipo IA, migração>5mm ou qualquer intervenção no colo proximal). Alterações morfológicas no colo e sobrevida foram também analisadas. Diferenças entre grupos foram ajustadas por regressão multivariável. Resultados: O estudo incluiu 502 pacientes (90 no grupo LD e 412 no grupo ND). O follow-up mediano foi de 3.5 anos IQR (1.5–6.2) e 4.5 anos IQR (2.1–7.3) para os grupos LD e ND, respetivamente, P=.008. Relativamente às características basais, os doentes no grupo LD, apresentavam maior incidência de hipertensão arterial (83% vs 69.7%, P=.012) e tabagismo (86% vs 84.1%, P=.018). Além de colos mais largos (colo Proximal Ø > 28 mm: 75% vs 3.3%, P<.001), os indivíduos do grupo LD apresentavam também colos mais angulados (ângulo-α >45º: 21% vs 9%, P=.002), cónicos (39.8% vs 20.3%, P<.001) e com maior proporção de trombo circunferencial (Trombo no colo >25%: 42% vs 32.3%, P<.089). O oversizing foi maior entre o grupo LD (20% [12.5–28.8] vs 16.7% [12–21.7], P=.008). Todas os restantes detalhes anatómicos eram semelhantes entre grupos. A ausência de complicações relacionadas com o colo aos 5 anos foi de 73% no grupo LD e de 85% no grupo ND, P=.001. Endoleak tipo 1A foi mais comum no grupo LD (12.2% vs 5.1%, P=.003). Migração>5 mm ocorreu similarmente entre grupos (7.8% vs 5.1%, P=.32). Reintervenções relacionadas com colo o foram também mais frequentes no grupo LD (13.3% vs 8.7%, P=.027).
- Aneurisma da Aorta Abdominal Complicado de Fístula Aorto-Cava Primária - Experiência Institucional e Revisão da LiteraturaPublication . Ribeiro, T; Soares Ferreira, R; Catarino, J; Vieira, I; Correia, R; Bento, R; Garcia, R; Pais, F; Cardoso, J; Bastos Gonçalves, F; Ferreira, MEIntrodução: A fístula aorto-cava primária (FAC) é uma entidade clínica rara, associada a menos de 1% dos AAA. As principais manifestações clínicas são insuficiência cardíaca aguda (ICA), edema dos membros inferiores, lesão renal aguda (LRA) e insuficiência hepática aguda (IHA). A cirurgia convencional associa-se a elevada mortalidade (16–66%)(1). Apesar da limitada evidência acerca da abordagem desta patologia, o tratamento endovascular, quando exequível, aparenta ser eficaz e associado a menor morbimortalidade. Os autores têm como objetivo descrever a apresentação clínica, terapêutica e resultados dos AAA complicados de FAC num hospital terciário e comparar com os dados disponíveis na literatura. Material e Métodos: Análise retrospetiva dos AAA complicados de FAC tratados entre Janeiro de 2014 e Maio de 2020 num hospital terciário. Os dados foram colhidos através da consulta do processo clínico eletrónico e foram incluídas variáveis demográficas, clínicas, do procedimento e eventos clínicos pós-operatórios. Resultados: Durante este período, identificaram-se quatro doentes com AAA complicado de FAC submetidos a cirurgia emergente. Os doentes eram do sexo masculino, com idade média de 70(±8) anos e história de tabagismo (n=4). Na admissão, os sintomas mais comuns foram dor lombar (n=4) e hipotensão/taquicardia (n=4). Outros sinais/sintomas frequentes foram massa abdominal pulsátil (n=3) e LRA/hematúria (n=2). Em dois doentes, a AngioTC na admissão revelou AAA com hematoma retroperitoneal sem evidência de FAC, que apenas foi diagnosticada intra-operatoriamente. Dois doentes foram submetidos a interposição aorto-bi-ilíaca com rafia endoaneurismática da fístula; um foi submetido a pontagem aorto-bi-femoral com rafia endoaneurismática da fístula e um foi submetido a exclusão endovascular com endoprótese aorto-bi-ilíaca Gore Excluder C3®. As perdas hemáticas foram muito superiores nos doentes submetidos a cirurgia convencional. As complicações pós-operatórias mais frequentes foram a LRA (n=3), insuficiência respiratória (n=2) e IHA (n=2). O doente submetido a EVAR aorto-bi-ilíaco não apresentou qualquer complicação pós-operatória, tendo alta ao 7º dia pós-operatório. Até aos 30 dias, verificou-se uma reintervenção: hemicolectomia esquerda por colite isquémica no 1º dia pós-operatório de cirurgia convencional. Após os 30 dias, observou-se 1 reintervenção: implantação de endoprótese bifurcada ilíaca por aneurisma ilíaco direito, no doente submetido a EVAR. Em dois casos, verificou-se o óbito no período pós-operatório precoce (2º e 3º dia). Os restantes doentes têm um follow-up de 66 e 29 meses. Conclusões: A FAC pode ocorrer em associação ou não a rotura de AAA com hematoma retroperitoneal e, nalguns casos, não é evidente na AngioTC e apenas detetada intra-operatoriamente. Tendo em conta a nossa experiência e o descrito na literatura, deve existir um elevado índice de suspeição para esta complicação dos AAA nos casos de congestão venosa aguda com disfunção orgânica de novo (LRA, ICA, IHA), mesmo na presença apenas de hematoma retroperitoneal imagiologicamente. A cirurgia convencional com rafia ndoaneurismática da FAC e interposição protésica foi a técnica cirúrgica de eleição. No entanto, o tratamento endovascular, se exequível, aparenta ser eficaz e com menor morbilidade e mortalidade nos AAA complicados de FAC. O não encerramento da comunicação aorto-cava por via endovascular não parece resultar em morbilidade significativa. Se se verificar preenchimento da fístula por endoleak tipo II, apesar da evidência escassa na literatura, a vigilância clínica e imagiológica parece ser uma opção segura, desde que se associe a evolução favorável do saco aneurismático e ausência de sintomas.
- Aneurysm Volumes After Endovascular Repair of Ruptured vs Intact Aortic Aneurysms: a Retrospective Observational StudyPublication . Oliveira-Pinto, J; Soares Ferreira, R; Oliveira, N; Bouwens, E; Bastos Gonçalves, F; Hoeks, S; Van Rijn, MJ; Ten Raa, S; Mansilha, A; Verhagen, HPurpose: To compare changes in abdominal aortic aneurysm (AAA) sac volume between endovascular aneurysm repairs (EVAR) performed for ruptured (rEVAR) vs intact (iEVAR) AAAs and to determine the impact of early volume shrinkage on future complications. Materials and methods: A retrospective analysis was performed of all patients undergoing standard infrarenal EVAR from 2002 to 2016 at a tertiary referral institution. Only patients with degenerative AAAs and with 30-day and 1-year computed tomography angiography (CTA) imaging were included. Early sac shrinkage was defined as a volume sac reduction >10% between the first (<30-day) and the 1-year CTA. The primary endpoint was to compare AAA sac volume changes between patients undergoing rEVAR (n=51; mean age 71.0±8.5 years; 46 men) vs iEVAR (n=393; mean age 72.3±7.5 years; 350 men). Results are reported as the mean difference with the interquartile range (IQR Q1, Q3). The secondary endpoint was freedom from aneurysm-related complications after 1 year as determined by regression analysis; the results are presented as the hazard ratio (HR) and 95% confidence interval (CI). Results: At baseline, the rEVAR group had larger aneurysms (p<0.001) and shorter (p<0.001) and more angulated (p=0.028) necks. Aneurysm sac volume decreased more in the rEVAR group during the first year [-26.3% (IQR -38.8%, -12.5%)] vs the iEVAR group [-11.9% (IQR -27.5%, 0); p<0.001]. However, after the first year, the change in sac volume was similar between the groups [-3.8% (IQR -32.9%, 31.9%) for rEVAR and -1.5% (IQR -20.9%, 13.6%) for iEVAR, p=0.74]. Endoleak occurrence during follow-up was similar between the groups. In the overall population, patients with early sac shrinkage had a lower incidence of complications after the 1-year examination (adjusted HR 0.59, 95% CI 0.39 to 0.89, p=0.01). Conclusion: EVAR patients treated for rupture have more pronounced aneurysm sac shrinkage compared with iEVAR patients during the first year after EVAR. Patients presenting with early shrinkage are less likely to encounter late complications. These parameters may be considered when tailoring surveillance protocols.
- Comparison of Midterm Results of Endovascular Aneurysm Repair for Ruptured and Elective Abdominal Aortic AneurysmsPublication . Oliveira-Pinto, J; Soares Ferreira, R; Oliveira, N; Bastos Gonçalves, F; Hoeks, S; Rijn, MJ; Raa, S; Mansilha, A; Verhagen, JMObjective: Endovascular aneurysm repair (EVAR) became an increasingly preferred modality for abdominal aortic aneurysm (AAA) repair both in elective AAA repair (el-EVAR) and EVAR of a ruptured AAA (r-EVAR) setting. Ruptured AAAs usually have more hostile anatomies and less time for planning. Consequently, more complications may arise after r-EVAR. The purpose of this study was to compare mi-term outcomes between r-EVAR and el-EVAR. Methods: A retrospective cohort analysis of patients undergoing EVAR from 2000 to 2015 at a tertiary institution was performed. Patients with previous aortic surgery, nonatherosclerotic AAA and isolated iliac aneurysms were excluded. In-hospital casualties or patients who were intraoperatively converted to open repair were also excluded. For the midterm outcome analysis, only patients with at least two postoperative examinations (a 30-day computed tomography scan and a second postoperative examination performed 6 months or later) were considered. The primary end point was freedom from aneurysm-related complications (a composite of type I or III endoleak, aneurysm sac growth, migration of more than 5 mm, device integrity failure, AAA-related death, late postimplant rupture, or AAA-related secondary intervention). Freedom from secondary interventions, neck-related events (defined as a composite of type IA endoleak, migration of more than 5 mm, or preemptive neck-related secondary intervention) and late survival were secondary end points. The impact of device instructions for use (IFU) compliance on neck events was also assessed. Results: The study included 565 patients (65 r-EVAR and 500 el-EVAR). Eighty-two patients were treated outside proximal neck IFU, 13 in the r-EVAR group (21.3%) and 69 (14.5%) in the el-EVAR (P = .16). During the index hospitalization, there were more complications (12.3% vs 3.2%; P = .001) and reinterventions (12.3% vs 2.8%; P < .001) in the r-EVAR group. After discharge, median clinical follow-up time was 4.3 years (interquartile range, 2.1-7.0 years) without differences between both groups. Five-year freedom from AAA-related complications was 53.9% in the r-EVAR group and 65.4% in the el-EVAR (P = .21). In multivariable analysis the r-EVAR group was not at increased risk for late complications (hazard ratio [HR], 0.94; 95% confidence interval [CI], 0.54-1.61; P = .81). Five-year freedom from neck-related events was 74% in r-EVAR and 82% in the el-EVAR group (P = .345). Patients treated outside neck IFU were at greater risk for neck-related events both in r-EVAR (HR, 6.5; 95% CI, 1.8-22.9; P = .004) and el-EVAR group (HR, 2.6; 95% CI, 1.5-4.5; P < .001). Freedom from secondary interventions at 5 years was 63.0% for r-EVAR and 76.9% for el-EVAR (P = .16). Survival at 5 years was 68.8% in the r-EVAR group and 73.3% in the el-EVAR group (P = .30). Conclusions: Durable and sustainable midterm outcomes were found for both r-EVAR and el-EVAR patients who survived the postoperative period. Patients treated outside the IFU are at greater risk for late complications. Surveillance protocols may be tailored according to individual anatomy and IFU compliance rather than timing of repair.
- Elective Repair of Abdominal Aortic Aneurysm: The Evidence is in But the Jury May Still Be OutPublication . Soares Ferreira, R; Powell, J
- Evolução da Formação em Cirurgia Vascular nos Últimos 15 Anos em PortugalPublication . Bento, R; Bastos Gonçalves, F; Rodrigues, G; Soares Ferreira, R; Catarino, J; Correia, R; Garcia, R; Pais, F; Cardoso, J; Ribeiro, T; Ferreira, MEIntrodução: A evolução na especialidade de Angiologia e Cirurgia Vascular foi acompanhada de diferenças na formação durante o internato. Objetivos: O principal objetivo deste estudo foi mostrar as diferentes tendências na formação no internato ao longo dos últimos 15 anos, nomeadamente no que respeita à aprendizagem cirúrgica e produção científica. Métodos: Identificação dos médicos que terminaram o internato de Angiologia e Cirurgia Vascular entre 2002 e 2017, inclusive, a nível nacional e colheita dos dados através da consulta dos currículos para a prova final de conclusão do internato complementar. Resultados: Em Portugal, de 2002-2017, constatou-se um aumento do número total de intervenções cirúrgicas realizadas como 1º cirurgião (p<0.024), na proporção de procedimentos endovasculares (p<0.001), bem como na diferenciação avançada de procedimentos endovasculares (p<0.001). Relativamente aos procedimentos por Doença Arterial Periférica (DAP) aorto-ilíaca, verificou-se uma diminuição do número de procedimentos convencionais (p<0.022) e um aumento do número de procedimentos endovasculares (p<0.017). Em cirurgia de aneurisma da aorta abdominal (AAA), verificou-se uma diminuição nos procedimentos realizados como 1º cirurgião (p<0.02) e um aumento marcado no número total de procedimentos endovasculares de AAA (p<0.002) e como 1º cirugião (p<0.001). A nível científico, verificou-se um aumento no número total de publicações (p<0. 018). Conclusão: Apesar da exposição a intervenções cirúrgicas durante o internato complementar se ter mantido constante nos últimos 15 anos em Portugal, contata-se um marcado aumento no número e diferenciação de procedimentos endovasculares. Verificou-se um decréscimo do número e diferenciação de procedimentos cirúrgicos convencionais, nomeadamente em cirurgia DAP aorto-ilíaca e de AAA. Confirma-se uma crescente preocupação com a vertente científica durante a formação.
- Infeção de Patch de Pericárdio Bovino de Laqueação de Coto Aórtico - um Caso ClínicoPublication . Catarino, J; Alves, G; Bastos Gonçalves, F; Quintas, A; Soares Ferreira, R; Correia, R; Bento, R; Ferreira, MEIntrodução: A infeção protésica é uma das complicações mais temidas da cirurgia aórtica (0,19% após cirurgia convencional e 0,16% após EVAR). Os autores relatam um caso raro de infeção secundária de patch de pericárdio bovino utilizado no reforço da laqueação de coto aórtico por explante de prótese aorto-bifemoral infectada. Caso clínico: Doente de 53 anos, com antecedentes de HTA, cardiopatia hipertensiva, hipercolesterolémia, ex fumador e status pós AVC, foi submetido em 2015 a bypass aorto-bifemoral com prótese de Dacron® por doença aorto-ilíaca oclusiva. Em outubro 2019 apresenta em angio TC sinais de infeção protésica e fistula aorto paraprotésica ABF — duodenal (D3). Iniciou AB dirigida com vancomicina e foi submetido a bypass axilo-bifemoral e, após 5 dias, a remoção de prótese de bypass aorto-bifemoral, laqueação de coto aórtico e secção do jejuno proximal. A microbiologia da prótese identificou Candida glabrata, Enterobacter cloacae e Klebsiella pneumoniae. Após alguns meses, em angio TC de seguimento foi detetada coleção com cerca de 38 x 34mm de dimensão, justa coto aórtico, cujas características sugeriam tratar-se de coleção infetada pelo que o doente foi submetido a drenagem e desbridamento cirúrgico por abordagem retroperitoneal através de tóraco-freno-laparotomia. Procedeu-se à excisão do tecido infectado, incluindo o pericárdio bovino usado como reforço da laqueação aórtica. A biópsia do patch identificou Candida glabrata e no líquido pericoto aórtico foi identificado, para além do acima referido, Enterococcus faecium. Conclusão: Em doentes com baixo perfil de risco, uma estratégia cirúrgica agressiva oferece as melhores hipóteses de tratamento eficaz em contexto de infeção de prótese aórtica e posteriormente de infeção de patch de coto aórtico. No entanto estes doentes carecem de vigilância a longo prazo dado o risco de reinfeção local. A utilização de pericárdio bovino em zona contaminada pode resultar na sua infeção secundária, pelo que devem ser privilegiados enxertos autólogos sempre que possível.
- Isquemia Aguda Renal, uma Emergência Cirúrgica Vascular com Evolução Ainda DesconhecidaPublication . Correia, R; Catarino, J; Vieira, I; Bento, R; Garcia, R; Pais, F; Ribeiro, T; Cardoso, J; Soares Ferreira, R; Garcia, A; Bastos Gonçalves, F; Ferreira, MEIntrodução: A incidência de isquemia aguda renal é baixa. A experiência publicada do seu tratamento cirúrgico resume-se a séries de casos e não há indicações bem definidas para a revascularização renal em caso de isquemia aguda. Métodos: Estudo observacional retrospetivo realizado com base na consulta de processos clínicos de doentes submetidos a revascularização de artéria renal por isquemia aguda renal, num hospital universitário terciário, de Janeiro de 2011 a Junho de 2020. O endpoint primário foi a taxa de diálise aos 30 dias e os endpoints secundários foram a taxa de doença renal crónica de novo aos 30 dias e a sobrevida aos 30 dias. Resultados: Foram incluídos 11 doentes com isquemia aguda renal. As causas da oclusão arterial renal foram: disseção aórtica (N=3), trombose de artéria renal nativa (N=3), trombose de revascularização renal prévia (N=3), embolia (N=1) e trauma fechado (N=1). Dois dos casos corresponderam a doentes com rim único. A mediana de tempo desde o início do quadro até à revascularização cirúrgica foi de 24 horas. Dois doentes apresentavam doença renal crónica prévia conhecida. A apresentação clínica foi de dor lombar ou abdominal (n=8), HTA não controlada (N=5) e/ou oligoanúria (N=5). O diagnóstico foi realizado em todos com recurso a angio-TC. Em todos os doentes, a artéria renal principal estava afetada (N=9 desde o seu óstio) e havia algum grau de captação de contraste pelo rim afetado. Em todos os casos, foi realizada a revascularização unilateral de uma artéria renal com sucesso angiográfico, com exceção de um dos três casos em que a isquemia renal era bilateral, em que ambas as artérias renais ocluídas foram revascularizadas. Com exceção de um doente com oclusão de stent (submetido a angioplastia com DCB), todos foram submetidos a angioplastia com stent (6 com stents cobertos). Dois doentes apresentaram oligoanúria no pós-operatório e quatro necessitaram de pelo menos uma sessão dialítica. Aos 30 dias, a taxa de diálise foi de 11% (doente com isquemia aguda renal bilateral de etiologia traumática com 13 horas de evolução) e a taxa de doença renal crónica de novo de 22%. A sobrevida aos 30 dias foi de 90%. Conclusão: Nesta população de doentes, pode-se verificar a reversão da isquemia aguda renal mesmo após oclusões prolongadas das artérias renais. No entanto, com os dados disponíveis, não é possível anteceder quais os doentes que recuperarão a função renal prévia após revascularização urgente com sucesso angiográfico. Por ser rápido e pouco invasivo, o tratamento endovascular é a primeira linha no tratamento cirúrgico da isquemia aguda renal na nossa instituição.
- Isquemia Pélvica Aguda: uma Complicação Fatal após Tratamento Endovascular de Aneurisma Aorto-Ilíaco com Prótese Ramificada da IlíacaPublication . Soares Ferreira, R; Bastos Gonçalves, F; Albuquerque e Castro, J; Berdeja, E; Valentim, H; Quintas, A; Abreu, R; Rodrigues, H; Oliveira, N; Rodrigues, G; Camacho, N; Ferreira, ME; Mota Capitão, LIntrodução: A oclusão da artéria hipogástrica pode ser necessária na reparação endovascular de aneurismas da aorta abdominal (EVAR). A oclusão intencional da hipogástrica pode ter complicações isquémicas. As endopróteses de bifurcação ilíaca (IBD) surgiram como alternativa endovascular à oclusão da hipogástrica em doentes com elevado risco para isquemia pélvica. Os autores descrevem um caso de oclusão precoce do ramo hipogástrico de IBD com graves consequências clínicas. Caso clínico: Sexo masculino, de 74 anos, com aneurisma da aorta abdominal (diâmetro máximo de 55 mm) com envolvimento de ambas as bifurcações ilíacas e segmentos proximais das hipogástricas (diâmetro máximo de 31 e 32 mm), submetido a EVAR com revascularização hipogástrica esquerda via IBD (Cook Zenith®) e coiling+overstenting da artéria hipogástrica contralateral. O procedimento decorreu sem complicações e a angiografia final mostrava permeabilidade da hipogástrica revascularizada e escassa colateralidade pélvica. O pós-operatório imediato complicou-se de dor lombar e glútea bilateral associada a manifestações cutâneas isquémicas e monoparesia do membro inferior esquerdo. Por agravamento progressivo nas primeiras 24h e angioTC com oclusão do stent da hipogástrica esquerda, procedeu-se novamente a revascularização da hipogástrica, com bom resultado na angiografia final. Apesar da revascularização bem-sucedida, houve agravamento progressivo do estado geral, com isquemia pélvica irreversível e rabdomiólise. Óbito ao 5.◦dia pós-operatório. Conclusão: A isquemia pélvica aguda é uma complicação grave e frequentemente fatal que pode advir da oclusão bilateral das artérias hipogástricas. A falência da revascularização por IBD pode ser fatal, pelo que os autores aconselham um cuidado redobrado no controlo angiográfico final e um baixo limiar para investigação na suspeita de complicações pós-operatórias. Se maior risco de falência técnica, embolização ou escassa colateralidade pélvica, a preservação bilateral de fluxo nas artérias hipogástricas pode estar recomendada.