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Advisor(s)
Abstract(s)
Introdução: A Reabilitação cardíaca
(Rc) é um elemento fundamental na prevenção
secundária após síndrome coronária aguda
(ScA). A American Association of Cardiovascular and Pulmonary Rehabilitation (AAcPR)definiu critérios de estratificação de risco para os doentes elegíveis para programas de Rc. Contudo, tem sido questionada a integração de doentes de baixo risco em programas estruturados de treino de exercício.
Objectivo: comparar o impacto da Rc nos
doentes de baixo risco cardiovascular versus
risco moderado/alto, segundo os critérios a
AAcPR, de forma a avaliar o real benefício da
Rc na capacidade de exercício nos doentes de
baixo risco, quantificada por prova de esforço cardiorrespiratória (PecR).
Métodos: Análise retrospetiva dos doentes
submetidos a Rc após ScA e submetidos a
PecR antes e após a integração num programa
de treino de exercício supervisionado constituído por 36 sessões. Foram incluídos doentes desde janeiro de 2004 a dezembro de 2013, num centro Hospitalar Terciário. Os doentes foram divididos em dois grupos: grupo de risco cardiovascular baixo (GRB) e grupo de doentes com risco moderado a alto (GRMA) de acordo com os critérios da AAcPR. Os parâmetros avaliados na PecR foram: pico de consumo de oxigénio (pVO2), pVO2 em relação ao valor previsto para idade e género
(%pVO2), declive da rampa do equivalente
ventilatório de dióxido de carbono
(Ve/VcO2slope), (Ve/VcO2slope)/pVO2 e
potência circulatória de pico (PcP).
Resultados: Foram incluídos em programa de Rc, pós ScA, 129 doentes, 86,0% do género
masculino, com idade média de 56,3±9,8 anos.
Setenta e nove doentes (61,3%) foram incluídos no grupo de baixo risco e 50 doentes (38,7%) no grupo de risco moderado a alto.Comparando os resultados da PecR basal
verifica-se uma melhor capacidade funcional
nos indivíduos de baixo risco (pVO2 26,7±7,0
versus 23,9±5,7 ml/kg/min; p=0,019). Esta diferença significativa desapareceu após a conclusão do programa de Rc, apresentando o
GRB pVO2 final de 28,5±7,3ml/kg/min e o
GRMA 27,0±7,0ml/kg/min (p=0,232).
Ao confrontar os parâmetros da prova de
esforço cardiorrespiratória prévios e após reabilitação cardíaca, verifica-se, em ambos os grupos, um aumento significativo da capacidade funcional expresso pelo aumento do
pVO2, (Ve/VcO2slope)/pVO2, PcP e duração
da prova. No entanto, apenas no grupo de
baixo risco se evidencia uma diminuição signi-ficativa do Ve/VcO2 slope (26,7±6,2 versus 25,7±5,3; p=0,029).
A amplitude da melhoria de pVO2 foi menos
marcada no GRB (1,8±6,5 ml/kg/min versus
3,1±5,0 ml/kg/min; p=0.133). Um incremento
no pVO2 superior a 10% em relação ao valor inicial foi atingido em 41,8% dos doentes no GRB e 58,0% dos doentes no GRMA (p=0,072).
Conclusão: independentemente do grau de risco cardiovascular inicial, existe benefício
na capacidade funcional de exercício após programa de Rc com 36 sessões de treino de exercício, objetivamente quantificado pelos
parâmetros da PecR. No entanto, esta melhoria
é mais acentuada nos indivíduos de risco moderado a alto comparativamente aos indivíduos de baixo risco. Atendendo à limitação de recursos, deverá ser privilegiada a inclusão de indivíduos de moderado e alto risco, não subvalorizando,
no entanto, o benefício também alcançado pelos indivíduos de baixo risco cardiovascular.
Description
Keywords
HSM CAR Reabilitação Síndrome Coronário Agudo Capacidade Residual Funcional Testes Respiratórios Teste de Esforço Estudos Retrospectivos
Citation
Rev Factores de Risco 2015 Jan-Mar; 35: 56-62